12.1.11

Christmas 2010, NYC - o nevão da minha vida

No dia 22 de Dezembro, pela hora de almoço, eis que o Poisoned Apple Man me diz que vai ter de ir para NYC no dia 24 de manhã. Caiu-me tudo. E o Natal? Não o meu, mas o dele. Não queria sair de Lisboa, mas era incapaz de o deixar sozinho, no Natal, num quarto de hotel. Cancelou-se tudo, combinámos ir juntos. Toda a logística em cima do joelho, avisar que não vou estar, faz malas, trata de documentos, leva presentes à mãe a correr, pede emprestado material para enfrentar -7ºC e neve... enfim, foi tudo num fôlego. E de lágrima no olho. Sim, eu nunca passei o Natal longe da família, não estava a adorar a ideia apesar de sempre ter querido ir a NYC no Inverno e andei o tempo que antecedeu o voo de olhos molhados. Escondia literalmente a cabeça dentro de um armário, como quem procura alguma coisa, no momento em que o Poisoned Apple Man passava por mim nas divisões da casa, falei com algumas amigas de voz embargada, deitei umas lágrimas no duche, mas a frente dele estava sempre tranquila. Tentei pensar que me ia passar. E passou, ele nunca percebeu e só vai saber quando ler isto.

Lá fomos, entrei no avião com um sentimento estranho em relação à minha mala, encolhi os ombros e segui viagem. Chegámos, um sol maravilhoso e 2ºC. Eu de manga curta como ando sempre. A minha mala nunca mais chegava, nervos, pedido de ajuda ao rapaz do aeroporto, um não se preocupe que deve estar a chegar e... não chegou. Eu só não jogo no Euromilhões, mas sei a chave. A minha mala nunca saiu de Lisboa, eu estava de manga curta e não tinha coisa nenhuma comigo. Era dia 24 de Dezembro, as lojas iam começar a fechar. Assim que o homem me deu uma palavra de consolo e um miminho, desatei a chorar. E chorei até ao Hotel.

Fomos a correr comprar um casaco, que era a prioridade. E eu não queria comprar por comprar. Já que era assim, ao menos um casaco espectacular! E consegui, oferta do me'home, lindo de morrer como se pode constatar na foto. 10 minutos depois as lojas começaram e fechar e só consegui comprar roupa no dia 26 de Dezembro. Sim, andei 3 dias com a mesma roupa e é extraordinária a adaptação do género humano a lavar cuecas e meias com shampoo e entalar as peças no ar condicionado para secarem. As calças, essas, estavam tão cravadinhas de nódoas que até dava pena. E vergonha.

Ou seja, no quarto do Hotel andava nua para deleite do Poisoned Apple Man, mas toda a gaja sabe que o que uma mulher menos pensa quando está desprovida de roupa, sapatos, cremes, desodorizante, pente, pinça, pílula!, tudo!, é em sexo. E para quem acha que os hidratantes são "coisas de gaja" supérfluas, haviam de me ver. Parecia cortiça e desenvolvi alergia ao frio na cara. Tinha babas como se fosse mordida por melas. E muita comichão. Nervos, muitos nervos. Nervos ainda maiores para fazer de conta que estou bem e perfeitamente adaptada à situação.

Dormia cerca de quatro horas por noite, tal a ansiedade que a cena da mala me provocava, mas tive um jantar de Natal muito agradável e divertido, fui conversadora, não me lembrei de ir à lágrimas e no fim de contas, acho que não dei muito trabalho como mulher desprovida de bens. Mas queixei-me muitas vezes e tive de fazer muitas compras.

Nos entretantos, a malta amiga enviava SMS e mensagens de Facebook a desejar excelentes festas a todos "menos à Poisoned Apple que não conta!", "metes tanto nojo que não sei o que te desejar!", "Bons Saldos!" em vez de Boas Festas e outras coisas simpáticas. E insultava-os metalmente, ao género "filhos da puta sabem lá o que é estar sem roupa com este frio e não ter cuecas lavadas!". Com mais ou menos palavrão, acho que me adaptei.

NYC no Natal é absolutamente extraordinária! Já me diz a L., aquele país tem qualquer coisas que está sempre a chamar-me, tenho uma ligação àquela terra que não tenho como explicar. NYC tem vida própria, é única, nunca me desilude. Adoro passear nas ruas, beber Starbucks uns atrás dos outros, ficar com bigodes de chocolate, passear avenidas fora mesmo com um frio de fazer cair as orelhas, respirar mil e uma culturas, responder aos americanos que têm tanto à vontade que mais parece que se metem com toda a gente, ver montras, injectar gordura nas veias de tanta comida que só se vê por lá, maravilhar-me com os preços (geralmente da roupa), sorrir apenas por estar em NYC e andar, andar, andar. O que eu gosto de palminhar aquela cidade incansavelmente, olhando para o céu.

O dia 25 de Dezembro, em Lisboa, é vê-la deserta. O Central Park em NYC é mais ou menos como chegar à Sé em dia de Santos Populares. Milhares de pessoas passeiam-se em família, com canitos vestidos a rigor, patinam no gelo, bebem hot chocolat e, acreditem ou não, continuam a fazer compras nas lojas que estão abertas. Aquilo sim, é consumismo!

Logo a seguir ao Natal começou a cair a neve. Primeiro timidamente, depois em força. A caminho do aeroporto, eram 16h e mais parecia ser de noite. Eu não sou sábia nenhuma nestas coisas de neve, mas achava que aquilo não era normal. E não era mesmo. Horas depois foi declarado o Estado de Emergência, a neve nas estradas dava pela cintura, ou seja, não havia estradas, serviços, emergências, nada. Fiquei 25h dentro de um avião.

Quando se fica dentro de um avião e não se sabe quando há possibilidade de saída (e até a possibilidade de se ser resgatado pelo exército americano), das duas uma: ou se desata aos gritos, chora-se, dá-se pontapés nas cadeiras e enerva-se toda a gente; ou uma pessoa ri, pensa que tudo será resolvido rapidamente e opta por fazer piadas. Optei pela segunda hipótese. Olhava pelas janelinhas e via o pessoal do aeroporto e ficar encalhado na neve. O nevão era tal que o avião abanava e o pessoal brincava "epah... esta turbulência é assustadora!". Eu conversava, comia e fazia vídeos.

25 horas depois, levantado o estado de emergência, regressei ao hotel onde desesperava por um banho, hidratantes e roupa nova (que não tinha!). Tudo na mesma, mais passeio menos passeio, medo de partir o queixo na neve que aquilo escorrega mesmo, mesmo!, vai de adquirir umas novas botinhas. No dia seguinte, com a neve a derreter, foi tempo de comprar outras que aguentassem a água. Neve derretida não tem piada nenhuma, é lama e lagos nojentos. Quando um gajo não tem experiência nestas coisas, tem de ir comprando botas até acertar. E acertei como se vê nas fotos!

Voltei dois dias depois do previsto. Já em Lisboa, vi a minha mala primeira vez. Abri-a, uma base estoirou em cima da roupa. Ainda ando a fazer lavagens para tirar nódoas.

Apesar de tudo, NYC é uma cidade fascinante e inesquecível. Aguardo pela oportunidade de voltar. Desta vez com roupa.


O dia seguinte


Quentes e boas!

Timberland. A maior despesa, a maior extravagância, mas maravilhosas!

Rockfeller Center

Times Square

Central Park. Note-se a minha raposinha na cabeça! Sempre encontrei!

Rockfeller Center

7ª Av.

O dia seguinte. Pistas?

No Natal, até o Ground Zero tem luzes coloridas

Dispensa apresentações. Loja cheia como um ovo, entradas controladas

Plaza Hotel

M&M's store

Newark Penn Station. Neve até à cintura

Christmas dog

Wall Street area

Caminhos cavados

Juro que não provei nada daqui!

Let it snow, the beginning!

A decoração das lojas no Natal é very impressive!

Central Park

Central Park

Timberland maravilhosa

7ª Av. / Broadway

Olha o casaco mai'lindo! Olha as orelhitas mai'lindas! Olha a calça Levi's de eleição!

17h - Então, voamos ou não?

Vê-los a tentar sair era... como se vê nos filmes!
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© A Maçã de Eva

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